O título desta crônica é uma homenagem ao romance sensual de Marçal Aquino, que o brilhante diretor Beto Brant (Invasor e Crime Delicado) está filmando. Trata-se da história de Cauby, fotógrafo que segue aos rincões da Amazônia brasileira para fotografar prostitutas de garimpo e acaba se apaixonando ao viver uma paixão bizarra e eletrizante com a deliciosa e bipolar mulher do pastor da cidade, Lavínia, interpretada por Camila Pitanga. Lavínia, como “quase” todas as mulheres, tem o humor do mar. Ora embala em águas calmas e pele macia, ora se transforma em maremoto, num turbilhão de hormônios revoltos prestes a explodir feito vulcão. É assim que ela enlouquece Cauby com sua beleza. Um dia, cabelos soltos, é uma puta na cama, cavalgando e ardendo em paixão. No outro, a mulher recatada do pastor, o evangelho debaixo do braço, vestido longo a cobrir tornozelos, golas abotoadas, o corpo frio, o olhar frígido.
Tudo isso para lembrar o romance mais bonito e fofinho da Copa 2010. Lá estavam: o goleiro espanhol Iker Casillas, um monstro debaixo das traves, herói do título e a jornalista princesa Sara Carbonero. No primeiro jogo, derrota por 1x0 para a Suiça, e quis o mundo crucificar esse amor. Casillas teria se distraído com a morena atrás de sua meta (pudera) no momento do gol. Sara então era a mulher fatal, a perdição, a tentação, a Eva com a maçã a acenar para Adão. O paraíso soçobrava. Vieram outros jogos. Casillas salvou a Espanha nas quartas agarrando um pênalti contra o Paraguai batido por Cardoso e outro chute aos pés de Roque Santa Cruz no minuto derradeiro. Veio a final, e nela, a defesa milagrosa com a ponta da chuteira jogando pra escanteio o chute mortal do holandês Robben. A bola saiu de mansinho. Sara sorriu. A Espanha venceu. Casillas era o herói. A história de amor estava salva. Sara não era mais a bruxa, a serpente a empunhar o microfone como se fosse uma naja hipnotizadora. Foi perdoada. Santificada, subiu ao céu e postou-se ao lado de Casillas para a entrevista na boca do túnel dos vestiários. Olhos nos olhos, medalha no peito, Casillas termina a entrevista eternizando um beijo na boca de Sara diante das câmeras. E o mundo todo beijou aquele beijo, sentiu aqueles lindos lábios. E o sabor da notícia não era das piores.
Oi amor. Boa sorte no seu novo blog. Bjs.
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