No charme da Liga Europa, lições para a pobreza mental da Sul-Americana. Não é preciso reinventar a roda.

Hoje entram em campo, 28 equipes européias para decidir a partida de volta e a passagem para as oitavas de final da Liga Europa, uma espécie de segunda divisão interclubes do Velho Mundo. Ontem foram dois jogos. Um deles, Porto e Sevilha, acompanhei de perto no belíssimo estádio do Dragão, no coração da ainda mais bela cidade do Porto. O Porto perdeu de 1x0, (gol de Luís Fabiano para o time da Andaluzia), mas como havia vencido a partida de ida por 2x1, classificou-se e agora enfrentará o CSKA de Moscou de Wagner Love - parada indigesta. A peleja teve início às 17h, e o estádio, com capacidade para 60 mil pessoas, estava completamente lotado. Uma cena que deve se repetir nessa tarde e noite de quinta-feira, quando desfilarão pelos gramados times tradicionais como o Manchester City, Liverpool, Ajax, PSV, Benfica, Sporting, Napoli, Villarreal, PSG, Beskitas, Glasgow Rangers, Dínamo de Kiev e Stuttgart, entre outros.
Se essa realidade fosse transportada para a América do Sul, todos esses times estariam estacionados no meio de semana, assistindo de longe os gigantes, como Real Madri, Barcelona, Manchester United e companhia, enfrentarem-se pela Liga dos Campeões. Ou restrito a torneios menores em seus países. Ao invés disso movimentam milhões de euros e espectadores em duelos além fronteiras.
Infelizmente, a mentalidade tacanha e do tamanho de um cérebro de ervilha dos mafiosos que governam a Sulamericana e “todas” as suas mafiosas confederações, não pensam assim. O primeiro semestre é dedicado a Libertadores da América e o segundo a Copa Sulamericana, torneio que só passou a ganhar alguma importância, no ano passado, quando resolveram, com um regulamento pra lá de confuso, dar uma vaga ao campeão para a Libertadores do ano seguinte.
Não é questão de babar ovo para os europeus. Mas ver o que dá certo lá fora e adaptar por aqui. Seria muito simples espalhar a Libertadores e a Copa Sul-Americana pelo ano inteiro, numa semana de data internacional. Se fosse assim, enquanto Inter, Flu, Santos e Cruzeiro, nossos melhores do ano passado, medissem forças com Estudiantes, Nacional, etc, veríamos jogar pela Sulamericana, equipes como Boca Junior, River Plate, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Vasco e até o desclassificado Corinthians (é assim na UEFA). O que você preferia. Ver o seu time enfrentar o ASA de Arapiraca, ou jogar na Bombonera com o Boca?
Se o calendário fosse assim, ainda abriria espaço para que a também charmosa Copa do Brasil fosse jogada o ano inteiro e por todos os grandes clubes brasileiros, dando muito mais valor e validade a competição, que no formato atual pune com a exclusão os melhores do ano anterior.
Ninguém aqui quer reinventar a roda. Mas é tão difícil assim de entender?
Por Eduardo Petta
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