terça-feira, 15 de março de 2011

Tristes Bávaros (Bayern 2x3 Inter)




Os milaneses haviam sido feridos em casa pelos bávaros. Uma lança a zero no monumental San Siro, falha de Julio Cesar no crepúsculo do embate. Hoje, vestiram suas armaduras pretas e azuis e partiram em marcha pelos Alpes. Atravessaram as montanhas e entraram num estádio vestido de vermelho e branco, perfilando-se para a peleja. Vi ali rostos da Copa. Quase não vi italianos. A bola rola e logo o rosto da África camaronesa coloca o Inter na frente em posição duvidosa. É Eto’o quem dá a sua risada. Um caldeirão se cala, um Bayern agiganta-se. Joga o fino da bola, de pé em pé como se fosse samba, bossa e logo chega ao empate em nova falha de Julio César. As pernas milanesas tremem. E o Bayern vira o jogo com música de Miller, o garoto revelação da Copa 2010. Ele, Ribery, Robben, Schweinsteiger e Mario Gomez praticam o futebol arte. Tratam o objeto de couro com raro talento e bombardeiam a armada da Inter. Julio César salva milagrosamente uma, duas, três vezes e se redime. Gomez recebe na cara do gol, dá um leve toque, a bola vai entrando, mas o zagueiro italiano consegue num carrinho mágico, deslizar por metros no gramado e tirar a bola a poucos milímetros dessa ultrapassar a linha fatal. Mas antes que a redondinha avance pelo gramado em alívio, o garoto Miller estica os pés de polvo e a devolve rumo a meta de Julio Cesar. A esfera a direção, o ângulo e a tangente perfeitas da equação, vai entrar...A torcida prepara o pulo de gol, mas ela resvala na trave, corre pela linha e teimosamente não entra. Na jogada seguinte, Robery avança cara-a-cara com Julio César, que defende a queima roupa. Final do primeiro tempo. O Bayern ensaiou uma goleada, massacrou, mas o jogo ficou no 2x1. A fanática galera aplaude e delira em Munique. Começa a segunda etapa. E os milaneses distribuem bordoadas, pauladas e sapatadas. Um a um, os jogadores vermelhos e brancos vão sendo minados e os azuis e pretos amarelados. Crescem os homens da Bota. Minuto 60. Leonardo coloca Philipe Coutinho em campo. Ele avança, cruza a bola para Eto’o na entrada da área. Eto’o ajeita de primeira para Sneidjer que solta a bomba. O míssil entra no canto e é gol. A torcida do Bayer canta mais alto ainda. Mas o galo de seu time não parece mais funcionar. Nitidamente cansado, o Bayer limita-se a defender. A Inter cresce na partida, vai para cima, insiste. Último minuto de jogo. A bola é lançada para Eto’o na área. O zagueiro Breno se antecipa, mas perde no drible de corpo para o camisa 9. Ele domina. Ganha de Breno na corrida, ameaça chutar, leva mais um, ameaça chutar novamente, mas então rola macia a bola para trás e ela sai pedindo me chuta, me chuta. Pandev chuta, ou melhor, coloca, no ângulo de Kraft, sem defesa. Lúcio, que errou quase tudo no primeiro tempo vira um monstro, urra, bate no peito, franze suas enormes sobrancelhas, abraça Maicon, Cambiasso. Nunca antes o Bayern fora derrotado após vencer fora na Champions. A atual campeã européia, sem Mourinho e com Leonardo a sorrir, já pode voltar para casa, para Milão, com a medalha da glória estufada no peito e a vaga nas quartas. No replay da última final, tristes bávaros choram por último e choram pior. 3x2.

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