quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

É tão difícil fazer a roda girar?
No charme da Liga Europa, lições para a pobreza mental da Sul-Americana. Não é preciso reinventar a roda.





Hoje entram em campo, 28 equipes européias para decidir a partida de volta e a passagem para as oitavas de final da Liga Europa, uma espécie de segunda divisão interclubes do Velho Mundo. Ontem foram dois jogos. Um deles, Porto e Sevilha, acompanhei de perto no belíssimo estádio do Dragão, no coração da ainda mais bela cidade do Porto. O Porto perdeu de 1x0, (gol de Luís Fabiano para o time da Andaluzia), mas como havia vencido a partida de ida por 2x1, classificou-se e agora enfrentará o CSKA de Moscou de Wagner Love - parada indigesta. A peleja teve início às 17h, e o estádio, com capacidade para 60 mil pessoas, estava completamente lotado. Uma cena que deve se repetir nessa tarde e noite de quinta-feira, quando desfilarão pelos gramados times tradicionais como o Manchester City, Liverpool, Ajax, PSV, Benfica, Sporting, Napoli, Villarreal, PSG, Beskitas, Glasgow Rangers, Dínamo de Kiev e Stuttgart, entre outros.
Se essa realidade fosse transportada para a América do Sul, todos esses times estariam estacionados no meio de semana, assistindo de longe os gigantes, como Real Madri, Barcelona, Manchester United e companhia, enfrentarem-se pela Liga dos Campeões. Ou restrito a torneios menores em seus países. Ao invés disso movimentam milhões de euros e espectadores em duelos além fronteiras.
Infelizmente, a mentalidade tacanha e do tamanho de um cérebro de ervilha dos mafiosos que governam a Sulamericana e “todas” as suas mafiosas confederações, não pensam assim. O primeiro semestre é dedicado a Libertadores da América e o segundo a Copa Sulamericana, torneio que só passou a ganhar alguma importância, no ano passado, quando resolveram, com um regulamento pra lá de confuso, dar uma vaga ao campeão para a Libertadores do ano seguinte.
Não é questão de babar ovo para os europeus. Mas ver o que dá certo lá fora e adaptar por aqui. Seria muito simples espalhar a Libertadores e a Copa Sul-Americana pelo ano inteiro, numa semana de data internacional. Se fosse assim, enquanto Inter, Flu, Santos e Cruzeiro, nossos melhores do ano passado, medissem forças com Estudiantes, Nacional, etc, veríamos jogar pela Sulamericana, equipes como Boca Junior, River Plate, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Vasco e até o desclassificado Corinthians (é assim na UEFA). O que você preferia. Ver o seu time enfrentar o ASA de Arapiraca, ou jogar na Bombonera com o Boca?
Se o calendário fosse assim, ainda abriria espaço para que a também charmosa Copa do Brasil fosse jogada o ano inteiro e por todos os grandes clubes brasileiros, dando muito mais valor e validade a competição, que no formato atual pune com a exclusão os melhores do ano anterior.
Ninguém aqui quer reinventar a roda. Mas é tão difícil assim de entender?

Por Eduardo Petta

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

De Berlusconi a Gattuso. Itália, um país com a síndorme do Machismo.


De Berlusconi a Gattuso. Itália, um país com a síndorme do Machismo



por Eduardo Petta

Não tem jeito. A bela Itália ainda não escapou ao machismo. Da política ao cinema, do cinema a bola. Seu primeiro-ministro insiste em tratar as mulheres como mero objeto de seu “aparentemente” insaciável desejo sexual. Berlusconi, em pleno século 21, parece um personagem reencarnado dos filmes de Fellini, com a diferença que hoje, as mulheres não parecem mais tolerar esse tipo de comportamento, indo às ruas para protestar junto com seus maridos e namorado com faixas de “Até quando?”. A pergunta ecoou na minha cabeça na noite de terça-feira durante a partida do Milan contra o Tottenham. Em pleno San Siro, os rossoneros esbarraram em seu nervosismo, estampados principalmente na figura do meio-campista Gennaro Gattuso, campeão mundial pela azzura em 2006. Completamente destemperado o jogador distribuiu botinadas desnecessárias, enfiou o dedo na testa do grandalhão Peter Crouch, socou a grama, apertou a garganta e deu uma cabeçada no assistente técnico dos Spurs, Joe Jordan, xingou seu companheiro de time, o francês Flamini e saiu bufando. Em todos seus atos, Gatusso parecia o menino mimado, encarregado de ser o xerife de uma vitória que não vinha, e acabou levando-o ao descontrole. É um machismo secular o italiano, dos tempos do Império Romano, que ainda hoje resvala em toda a Península Ibérica, em países como Portugal e Espanha. Só para ilustrar o fato, vale lembrar que apenas 50% das mulheres italianas estão no mercado de trabalho. A outra cuida da casa, dos filhos e netos, como nos tempos da nona. Nas últimas eleições parlamentares, foram eleitas 188 mulheres de um total de 945 cargos, 19,8% do total, o que coloca o país na 50ª. posição do ranking da participação feminina na política – o último lugar da União Européia. Até mesmo no imaginário mundial, esse machismo italiano ganha vida. No milionário filme publicitário da Nike para Copa de 2010, o zagueiro Canavarro sonhava em ser campeão e ser adulado num programa de auditório cercado de dançarinas gostosas.
Ah, se serve de consolo, no jogo em questão, que foi horrível por sinal, Gattuso foi punido com o amarelo e não joga a partida de volta. E o melhor, o Tottenham ganhou de 1x0, gol do dócil, sensível e gigantesco Peter Crouch.
No dia seguinte, Gattuso pediu desculpas pelo seu dia de fúria. Já Berlusconi, ao melhor estilo Calígula, continua a rir com seus amigos e seguidores dos dias e mais dias de farra e diz. “Tenho mesmo predileção por mulheres jovens e bonitas. O resto é intriga da oposição”. E eu, assim como as mulheres italianas que foram as ruas protestar pergunto: “até quando”?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Arsenal 2x1 Barcelona. Foi de arrepiar.

Foi de Arrepiar
Arsenal 2x1 Barcelona – Champions League 2010-2011


E com que vontade o amigo acha que vou assistir ao meu Palmeiras contra o não sei quem da Paraíba num gramado sinistro e esburacado depois de ver esse Barcelona e Arsenal no palco de sonho do Emirates Stadium em Londres. A grama parecia o cabelo de uma princesa recém saída do Jaça ou do Beka. E em campo era um craque atrás do outro. Perdeu o jogo. Eu conto, mas assista ao VT. É futebol-arte na veia em pleno século 21. Foi um jogaço, principalmente o primeiro tempo. Aos 10, Fábregas acionou Van Persie que explodiu a bomba na cara de Valdez. Aos 15, Messi recebeu livre na área, deu uma finta de corpo no goleirão Szczesny, um toque de leve e a bola passou tirando tinta da trave. Só dava Barça. Messi de novo fez fila, mas chutou fraco aos 22. O Arsenal respondeu aos 24. Em um contra-ataque fulminante puxado por Walcott, Fábregas cruzou na área, Van Persie subiu com estilo para cabecear, mas Abidal conseguiu cortar no último instante. Na sequência do lance a pelota caiu nos pés de Messi. O baixinho arrancou, passou no meio de dois e colocou a bola entre 4 jogadores do Arsenal para Villa que fuzilou para marcar 1x0. Aos 28, o Barça quase amplia. Dani Alves faz boa jogada, empurra na linha de fundo pra Villa que acha Pedro dentro da área. Pedro resvala na bola, mas Szczesny faz grande defesa, espalmando a bola. Imediatamente o Arsenal puxa o contra-ataque. Walcott enfia para Van Persie que solta a bomba e quase empata. Rapaz, não dá nem pra fazer xixi nesse jogo. Ufa. Dos 30 aos 32 o Barça tocou a bola de pé em pé com Xavi e Iniesta comandando o baile. Conta aí. Devem ter sido mais de 40 passes certos. Aos 37, gol de Messi, mas o juiz anulou. Mandou bem o homem de preto. Aos 40, o jogo deu uma acalmada. Aos 41, um lance me impressionou. Nasri recebeu na linha de fundo, driblou Maxwell, e quando levantou a cabeça já tinha três blaugranas no cangote. Como é que um time consegue ser tão ofensivo e ao mesmo tempo defender tão bem? E terminou o primeiro tempo, de um jogo equilibrado em número de oportunidades, mas com 61 % de posse de bola para os visitantes.
Veio o segundo tempo. Messi perdeu outra chance aos 14. O Barça trancou o Arsenal. Seus jogadores acertam passes de uma linha a outra do campo. É impressionante como parece que futebol é fácil de jogar. Até que aos 78, Clichy lançou Van Persie nas costas de Dani Alves. O camisa dez holandês invadiu a área, Valdez esperou o cruzamento, Van Persie estava sem ângulo para chutar, mas chutou. O chute saiu forte, seco, no canto curto do goleiro, juntinho da trave, tal qual o de Gighia na final de 1950 de Uruguai e Brasil.
A torcida inglesa delirou. Mas o gol acendeu ainda mais o Barça, que se mandou com tudo para o ataque. Para o Arsenal, o empate já estava de bom tamanho e ele se fechou como um arco, para aos 82 disparar como flecha. O ótimo francês Nasri desceu ligeiro pela direita, cortou Keita e cruzou a bola brilhantemente para trás, para a entrada da área, onde o russo Arshavim, que é craque, pegou de primeira no contra-pé de Valdez e virou o jogo. Dois minutos depois, Valdez salvou o terceiro gol nos pés de Arshavim. O Barça ainda se mandou como louco para o empate, sempre pela direita com Dani Alves – o campo parecia inclinado. Perdeu uma, duas, três chances nos pés do jovem goleiro do Arsenal, e fez dele, aos 20 anos, um dos heróis do jogo. O gigante polonês de 1,95m, nascido outro dia, em 1990, não vai dormir esta noite. Nem os torcedores do Arsenal.
A volta no Camp Nou promete. Os gunners estão de parabéns por parar em grande estilo a maravilhosa equipe de Pep Guardiola. Mas fiquei com a impressão de que cutucou a onça com vara curta. Não vou perder este jogo por nada. E você?


Números do jogo (emprestado do Birner –valeu careca)
Posse de bola – Arsenal 40% e Barcelona 60%
Tentativas de chutes em gol – Arsenal 13 e Barcelona 10
Chutes na direção certa – Arsenal 7 e Barcelona 5
Escanteios – Arsenal 4 e Barcelona 1
Impedimentos – Arsenal 3 e Barcelona 8
Faltas – Arsenal 16 e Barcelona 13