quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

De Berlusconi a Gattuso. Itália, um país com a síndorme do Machismo.


De Berlusconi a Gattuso. Itália, um país com a síndorme do Machismo



por Eduardo Petta

Não tem jeito. A bela Itália ainda não escapou ao machismo. Da política ao cinema, do cinema a bola. Seu primeiro-ministro insiste em tratar as mulheres como mero objeto de seu “aparentemente” insaciável desejo sexual. Berlusconi, em pleno século 21, parece um personagem reencarnado dos filmes de Fellini, com a diferença que hoje, as mulheres não parecem mais tolerar esse tipo de comportamento, indo às ruas para protestar junto com seus maridos e namorado com faixas de “Até quando?”. A pergunta ecoou na minha cabeça na noite de terça-feira durante a partida do Milan contra o Tottenham. Em pleno San Siro, os rossoneros esbarraram em seu nervosismo, estampados principalmente na figura do meio-campista Gennaro Gattuso, campeão mundial pela azzura em 2006. Completamente destemperado o jogador distribuiu botinadas desnecessárias, enfiou o dedo na testa do grandalhão Peter Crouch, socou a grama, apertou a garganta e deu uma cabeçada no assistente técnico dos Spurs, Joe Jordan, xingou seu companheiro de time, o francês Flamini e saiu bufando. Em todos seus atos, Gatusso parecia o menino mimado, encarregado de ser o xerife de uma vitória que não vinha, e acabou levando-o ao descontrole. É um machismo secular o italiano, dos tempos do Império Romano, que ainda hoje resvala em toda a Península Ibérica, em países como Portugal e Espanha. Só para ilustrar o fato, vale lembrar que apenas 50% das mulheres italianas estão no mercado de trabalho. A outra cuida da casa, dos filhos e netos, como nos tempos da nona. Nas últimas eleições parlamentares, foram eleitas 188 mulheres de um total de 945 cargos, 19,8% do total, o que coloca o país na 50ª. posição do ranking da participação feminina na política – o último lugar da União Européia. Até mesmo no imaginário mundial, esse machismo italiano ganha vida. No milionário filme publicitário da Nike para Copa de 2010, o zagueiro Canavarro sonhava em ser campeão e ser adulado num programa de auditório cercado de dançarinas gostosas.
Ah, se serve de consolo, no jogo em questão, que foi horrível por sinal, Gattuso foi punido com o amarelo e não joga a partida de volta. E o melhor, o Tottenham ganhou de 1x0, gol do dócil, sensível e gigantesco Peter Crouch.
No dia seguinte, Gattuso pediu desculpas pelo seu dia de fúria. Já Berlusconi, ao melhor estilo Calígula, continua a rir com seus amigos e seguidores dos dias e mais dias de farra e diz. “Tenho mesmo predileção por mulheres jovens e bonitas. O resto é intriga da oposição”. E eu, assim como as mulheres italianas que foram as ruas protestar pergunto: “até quando”?

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