quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tudo começou quando eu era menino

Quando eu era menino sonhava em ser jogador de futebol. Também queria ser narrador. Passava horas a jogar botão sozinho narrando os gols. Na época (virada dos anos 70-80) o estilo de narrar que mais me influenciava era o do José Silvério da rádio Jovem Pan. Eu amava quando o jogo ia começar e eles tocavam aquela musiquinha: “eu gosto é de futebol. E os meus amigos...estão no futebol. Futebol é com a Jovem Pan e é lá que eu estou também”. Também gostava de cantar na hora do gol o jingle: “é gol. que felicidade. é gol. e o meu time é a alegria da cidade”. E o Silvério então soletrava a primeira sílaba do nome do jogador algumas vezes para então soltar o nome inteiro, algo como: “Jó, Jó, Jó....Jorginho” e completava “é dele a camisa número 10”. E depois disparava para o goleiro um: “e agora Neneca?” e ligava um som de torcida: “vai buscar” (a voz ecoava). “Tá lá, no fundo da rede de Neneca”. Dava o replay, descrevia o gol e chamava o repórter. “ E aí Vanderlei, o que é que só você viu”. E lá vinha o Vanderlei e o seu olhar de beira de campo, depois o comentarista, e o jogo seguia, os ouvidos grudados no rádio da caravan de papai. Na minha mesa de botão esse mundo era transportado. Tinha sempre na ponta da língua a escalação dos principais times do Brasil (naquela época não mudava tanto) e os que eu não sabia, estavam num fichário do futebol cards, as grandes figurinhas que vinham em pacotinhos de chicletes gigantes. Tive a coleção quase completa, rapelando os meus colegas batendo bafo na saída do colégio São Luís - habilidade adquirida nas horas e horas que esperava minha mãe, sempre atrasada, me buscar. Quando eu era menino, se não estava dormindo, estava pensando (ou jogando) futebol. Foi aliás, assim que aprendi a ler, soletrando as manchetes dos diários esportivos todos os dias no café da manhã. E assim que aprendi a gostar de jornal e um dia virei jornalista. Foi então que aos 40 anos de idade e quinze de profissão, durante a Copa do Mundo de 2010, realizei que era hora de sair do armário. De colocar minha pena pra escrever sobre a bola. Unir essas duas paixões que movem a minha vida. E deixar fluir aquilo que sinto sobre futebol.
Vou adorar dividir este espaço de letras com você que, assim como eu, cresceu gostando de futebol.

2 comentários:

  1. Petta, essa de "o que eh que vc viu" nao era o Silverio nao. Isso era o Silvio Luis falando pro Ely Coimbra e pro Flavio Prado. Abs, Marcelo Break

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  2. Petta,
    Parabéns pelo blog. Como vc, era e ainda sou fã do Silvério.
    Apenas para constar: a música de abertura da transmissão da Jovem Pan era outra.
    'Vai começar o jogo, só eu tenho um guarda chuva, adivinha quem vai se molhar...', e por ai vai. Essa que vc se lembra tocava no meio da partida, normalmente no início do 2o tempo.
    A música do gol não era um jingle, mas sim um trecho de uma música do Trio Esperança (como curiosidade, o gol que gerava a 'felicidade' era do Flamengo!!).
    E, por fim, o Break tem razão: quem repetia a primeira sílaba do nome, falava 'é dele a camisa número 10' e 'o que é que só vc viu' era o Silvio Luiz.
    Bons tempos!
    Abs

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