quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vida Longa ao Ganso

A dez canarinha nunca foi tão leve. E como ela pode pesar. Que o digam Ademir da Guia, Jorge Mendonça, Roberto Dinamite, Neto, Raí, Marcelinho Carioca, Ronaldinho Gaúcho, Alex e tantos outros que sucumbiram à força da mística camisa eternizada por Pelé, Rivelino e Zico. Aliás, desde os tempos do Galinho de Quintino, o manto sagrado não se acomodava tão bem em pele e osso. Pois em sua estréia na seleção principal no amistoso contra os Estados Unidos ela parecia flutuar na carcaça de Paulo Henrique Ganso. O menino de 21 anos levitava pelo gramado como se jogasse uma pelada com os amigos da rua onde nasceu. De seus pés saíam lançamentos longos como o de Gérson, o canhotinha de ouro, elásticos de Rivelino, passes de calcanhar a Sócrates. Em alguns momentos tabelava com Neymar e Robinho, tal qual Pelé e Coutinho. Sua postura ergométrica em campo reluz perfeita. Parece que um parafuso logo abaixo da nuca o impede de olhar para baixo, como fazem os bugres da bola. Cabeça sempre erguida, seu perceber de jogo transcende ao olhar humano: enxerga de costas, de lado e além do horizonte. Quando a bola chega aos seus pés, já sabe de velho o fino trato em dar a ela: acomoda a redondinha suavemente, gruda-a junto ao corpo e como se fosse uma menina, a toca com profundo amor e carinho. Bem cuidada, a bola sabe bem corresponder a essa paixão. E os passes de Ganso navegam em campo pelo rumo projetado, penetrando em espaços inimagináveis, a correr entre as pernas de zagueiros enormes, descrevendo curvas impossíveis, tomando trajetórias que desconcertam os marcadores, assistindo aos companheiros para que se consagrem ao gol. E Ganso também sabe marcar. Não se omite em dar carrinhos e lutar pela bola, mas sem perder a ternura. Também não se esconde do jogo. Está sempre chamando a responsabilidade, fazendo a pelota girar, se apresentando ao companheiro, principalmente quando a tensão da partida chega ao ápice. E o menino Ganso ainda leva em seu repertório os dribles circenses de Garrincha, o Charles Chaplin da bola. Pura alegria, deleite, poesia. Parodiando Fernando Pessoa, ao vê-lo jogar, até as almas mais tristes se tornam menos tristes. E como diria Raul: o Ganso ainda nem começou...

3 comentários:

  1. Grande Petta, poetero do futebol, como Armando Nogueira? Sei lá, só sei que o cara é meu amigo....rsrsrsr
    Pro Ganso poder voar mais alto ainda, só falta chutar com a direita, o resto sabe como poucos!!!!
    gde abraço e boa sorte velhinho!!!!!

    Wlad, Maeva e Lu

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  2. Vamo que vamo e que em 2014 o caneco seja nosso! Parabéns pelo blog. Abração.

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  3. Petta, estão demais os textos. Amei e divulguei para os amigos que gostam de futebol: Cesinha, Gama, Godoi, Zambo...! Uma sugestão - a tela preta e as letrinhas brancas fazem a gente ficar meio vesgo. Veja se não vale uma mudada no layout. Nenhum mal tb em ficar mais colorido e um pouco mais alegrinho né? Bjs! Fabi

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